comentar
publicado por berenice, em 25.05.10 às 21:05link do post | favorito

  As pessoas que me conhecem sabem bem o quanto gosto de animais.

  Não raramente me enviam mails em que os animais são protagonistas.

  Ultimamente andava a sentir que cá em casa faltava um outro bichinho para me animar a mim e à gata. O meu filho ofereceu-me um pedacinho de gato, perfeito, brincalhão, flexivel como um boneco de borracha. Hoje estavamos a dormir a sexta os três. O pirralho sumido numa prega do edredon e ela, já com uma certa idade, aconchegada noutro canto como que a recordar velhos tempos. Acordei com um barulho, três pancadas estranhas e como estava estremunhada e não tinha óculos não vi o "puto" e pensei : lá anda a fazer asneiras.Mas, ao  levantar-me, encalhei numa coisinha: era o gato. Então não foste tu? Inquiri. E mais uma vez, as três pancadas secas. Fui ver: não, a neve não caía.

 Encarrapitada nos vidros superiores da janela de uma marquise estava um gaivota. Fiquei fascinada. Aquela gaivota bateu-me à janela. Nunca tinha visto uma tão de perto, olhos nos olhos. Até pensei que estivesse ferida pois tinha um laivo vermelho junto ao bico. Afinal não era nada disso. O bico é mesmo assim. Encarrapitei-me numa bicicleta que há anos habita aquele espaço e dispunha-me a verificar se havia possibilidade de lhe dar alguma comida. Ela voltou a bater com o bico e eu retribui com três pancadinhas com os nós dos dedos. Olhou-me uns instantes e partiu.


comentar
publicado por berenice, em 12.05.10 às 18:38link do post | favorito

  Temos o país de pernas para o ar, não se sabe onde se há-de ir buscar dinheiro e vai daí vai-se aos mais pobres que por estes dias até andam eufóricos com a vitória do Benfica e a estada do Santo Padre entre nós.

Como estudante de História, não me ocorre nenhum período em que este lindo país não estivesse em crise. Se a dívida externa, em determinados momentos, não atingiu os níveis de agora (até se sabe que houve épocas em que o país tinha ourinho, muito ourinho acumulado), lá vem o pobre povo que viveu sempre na miséria. Fominha, muita fominha para os portugueses. E a emigração não foi ambição como há quem defenda, sentindo pelos emigrantes, esses "alarves",  um forte desprezo e vontade de os esfolar porque "enriqueceram". A emigração foi uma necessidade.

 Estou a lembrar-me - repito que sou estudante/professora de Hstória - da glória e da coragem, dos portugueses que se fizeram ao mar enfrentando a possibilidade de monstros marinhos, correntes adversas, naufrágios, encontros com tribos que lhes pregassem ciladas ou os corressem à pedrada. Que grandes homens! Enquanto isso, a nossa terra rebentava em ervas daninhas e mato e os mais favorecidos enchiam o bandulho com o pãozinho estrangeiro, cobriam a sua obesidade com os tecidos estrangeiros, traziam móveis preciosos e bugigangas lá das terras longínquas do Oriente e carradas de escravos que amontoavam nos porões dos navios como se fossem sacos de carvão. Indústria? Para quê desenvolvê-la se tínhamos tanto, mas tanto dinheiro para comprar o que fizesse falta ainda que fosse equipamento naval? Nem barcos construíamos. Que linda história a de Portugal!


mais sobre mim
Maio 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
26
27
28
29

30
31


pesquisar
 
blogs SAPO
subscrever feeds