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publicado por berenice, em 10.11.09 às 17:23link do post | favorito

Ele ainda percorre a casa toda no seu andar almofadado e mansinho.

Ele ainda se senta nos seus lugares de eleição, muito composto, com a cauda em torno dele.

  Vai ser a primeira noite que tenho que lidar coma sua ausência após uma convivência de vários anos, sem atritos e com muita ternura.

À hora de deitar, às vezes, ele demorava um pouco. Acho que era para se fazer rogado. Eu aguardava. Então ouvia um saltinho fofo e certeiro e  era com alegria que o via deitar-se no seu lugar. Começava quase instantaneamente a ronronar.

Eu passava-lhe a mão na cabeça, fazia-lhe cócegas no pescoço que ele alongava, de olhos semicerrados. Tocava-lhe as orelhas macias mas acabava por não resistir e fazia-lhe cócegas na barriga. Ele avisava: huuum....eu insistia e ele voltava a avisar: huuum.....Então, engolia em seco, os olhos vivos e brilhantes e dava um salto com a cauda  no ar e aquele jeito de fugir, a cruzar as patas traseiras como se fosse um puto traquina. Paráva ao fim de uns saltinhos e observava-me  da semiobscuridade do corredor. Eu percebia a pergunta - Se eu voltar para aí chateias-me outra vez?

- Não pequenino, vem dormir com a dona.

E ele saltava novamente para a cama, ocupava o seu cantinho, e fazíamos as pazes.


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publicado por berenice, em 10.11.09 às 17:22link do post | favorito

Com frequência se diz que este mundo está perdido, que não há vergonha nem palavra. Está de "meter medo". São assaltos, massacres, violam-se senhoras idosas, raptam-se crianças sabe-se lá para quê, isto no mundo do crime. Telefona-se a toda a hora para casa das pessoas para oferecer este e aquele produto, este e aquele serviço, porque a senhora está a pagar muito e nós temos mais barato. E vai daí a gente embarca e muda internet e telefone e assina um contrato. Nos primeiros meses nota-se a diferença depois, por norma, o montante da factura sobe um pouco. Mas aí há outra empresa que nos contacta e quer servir por um valor ainda mais baixo....Enfim, é a competitividade e isto atormenta-nos e azeda as relações entre as pessoas pois não há elegância de maneiras que resista a esta pressão.

  À s vezes dou por mim a sentir-me perdida neste mundo louco. Temo que se entre num caos, que o mundo fique desgovernado (ainda mais) que a guerra tome conta do planeta, que este comece a desorganizar-se no espaço cruzando órbitas com outros, que se aproxime demasiado do sol e fique ígneo como  a ciência explica que  há muitos milhões de anos, foi.


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