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publicado por berenice, em 11.12.09 às 22:28link do post | favorito

 Ela era o meu anjo da guarda ou talvez, melhor dizendo, o cura em cuja igreja eu me refugiava para pedir conselho e ajuda.

 A minha amiga Teresa tinha sido abandonada por todos: marido, filho, irmãos. Também não tinha coisas boas para contar da falecida mãe e com frequência dizia "Deus lhe perdoe que  por mim está perdoada" que o mesmo era dizer "não consigo perdoar-lhe".

  Mas a minha amiga era arrogante e vaidosa. Pertencia a um destes tipos humanos (frequentes, aliás) que acreditam que são dotados de uma inteligência superior aos demais.

A verdade é que a minha amiga contava com três ou quatro pessoas (entre elas eu) que iam a casa dela à procura de uma palavra, de um ombro de um abraço.E isto, por si só, fazia-a sentir-se importante.

  Num fim de dia já longinquo, por esta altura do Natal, bati-lhe à porta mas ia alegre e bem disposta. Seguramente não ia dizer-lhe que me sentia perdida  e sem coragem para prosseguir. Ela estava encostada ao fogão a preparar um ponto de açúcar para recheio de uns fritos ou qualquer coisa assim. Falei naturalmente com ela, sobre fritos de Natal mas sei que ambas sentimos um friozinho gelado pela coluna acima. É aquele frio indescritível de quem vive a solidão e sente medo.. Eu tinha família, mas sobre a minha cabeça pairava uma ameaça de tempestade que me trazia, por antecipação, desassossegada.

 A minha amiga, numa noite, teve sintomas de doença grave; chamou-me por telefone, a voz a tremer. Fui, como é evidente. Levei-a ao Hospital. A partir daí, foi fulminante. Tive que me ausentar por dois anos mas, periodicamente, contactava com ela. Voltei, enfim, para ficar. A primeira pessoa que pretendi visitar foi ela. Bati à janela com os três toques habituais mas estranhei a demora. Finalmente a persiana correu perra e uma mulher que eu não conhecia, mostrou-se e disse: a Teresa morreu.


cintiarnaranjo a 19 de Dezembro de 2009 às 05:00
Nossa, caso essa historia seja verídica, sinto muito...
Nunca perdi pessoas próximas a mim assim, na verdade somente meus avós paternos, mas era tão pequena que mal me lembro.
Sei que a morte as vezes não nos assusta tanto, mas quando alguém que faz parte da nossa vida se vai, é realmente muito triste.

Adorei realmente seu blog e em especial esse post...
Meus parabéns, beijos.

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