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publicado por berenice, em 30.05.11 às 20:18link do post | favorito

  Há ruas e avenidas e becos, até, que são bonitos e cheios de graça.

Repare-se na Avenida da Liberdade, em Lisboa, como é bonita!

Ou a Praça da República em Coimbra, ou os Champs Élisées, em Paris.

Nunca tive a sorte de viver numa rua bonita: a primeira a que se pode chamar rua era a da Igreja, toda em calçada. Malhei duas ou três vezes  nessas pedras, deitando abaixo os meus tenros joelhos. Houve um dia, melhor dizendo uma tarde em que com uma amiga curiosa como eu, fui espreitar pelo buraco da fechadura da igreja o que raio faria o Padre lá sózinho. Talvez o senhor (o padre, não me refiro ao Senhor cujo corpo está condensado nas finíssimas hóstias), se apercebesse que havia por perto crianças a fazer traquinices ou talvez fosse só impressão nossa - pareceu-nos ouvir umas botas a ranger a toda a velocidade açodadas por uma batina que só podia ser preta e pernas para que te quero! Ali mesmo à porta da Igreja, caí e parti um dente lateral. Só há pouco tempo ( talvez uns seis anos) é que o dentinho foi reconstruído pelo Dr. Moura - obrigada Dr -, porque não gostava daquela falhinha que, apesar de já fazer parte de mim, me incomodava. A a segunda rua onde morei era uma estrada por onde a toda a hora passavam camiões que quase nos entravam pelo quarto dentro. A casa estremecia e, depois do sismo de 69 (creio que não estou em erro mas se estiver desculpem-me porque ando a ouvir com muita frequência Summer 69 na voz rouca de Bryan Adams), a minha mãe estremecia de terror embora eu não porque estava na Idade em que julgava que essas coisa más eram esporádicas e não se repetiam. Com isto tudo ainda não me esqueci das ruas, por ordem cronológica, não estou assim tão esclerosada ( que Deus me mantenha assim por amor do seu nome), e como ia dizendo a terceira rua onde vivi 5 anos era um nojo porque também era uma estrada por onde passavam camiões que iam para as Beiras, os nossos vestidos se eram claros ficavam da cor do fumo, refiro-me à Rua do Brasil em Coimbra, também quem me mandou a mim ir morar para lá, o que faltava eram casas que recebiam hóspedes, mas a verdade é que como a da Senhora Dona Amélia que Deus tem, duvido. Quando ela faleceu ainda fui morar uns meses para uma pequena moradia numa ruela íngreme cujo nome não me lembro mas que era pitoresca. A senhora, dona da casa, recebeu-me na sala, muito ajustada ao seu maple e muito amarela e eu pensei, aqui há coisa! Fiquei lá uma semana, nunca mais vi a senhora que me alugou o quarto que era da filha, quando solteira, e para onde eu subia por umas escadas com uma passadeira vermelha ao mesmo tempo que olhava para as fotografias que iam desfilando pelas paredes, de antepassados de bigodes retorcidos. Um dia a Carmo apareceu e anunciou-me que a mãe falecera já havia uma semana.


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