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publicado por berenice, em 11.10.10 às 11:06link do post | favorito

    Há cerca de dois dias vi uma pequena reportagem na SIC sobre famílias que "expulsaram" de suas casas a televisão. Para além de que as crianças se tornam mais criativas e que a televisão impede o diálogo durante as refeições (a mim ensinaram-me que não se fala de boca cheia), pouco mais se disse. O tempo devia ser curto.

   Trago comigo as recordações de uma infância sem televisão e sem rádio.

   Conservo vivas na minha memória as refeições em família em que se falava (aquela de falar com a boca cheia é brincadeira) e se ria e tudo parecia ter outro sabor - um sabor festivo. Actualmente as pessoas à volta da mesa ficam com os olhos cravados na televisão e, de vez em quando, se soltam uma observação é relacionada com o que se está a ver. Isto pode constituir uma vantagem, uma "salvação" para situações de famílias que já não têm nada para dizer. Infelizmente há muitas famílias, pequenas famílias, que vivem este pequeno/grande drama. Mas sobre este tema não digo mais nada.

  No que refere à criatividade, acredito que a televisão a retrai e atrofia. No que me toca, cresci sem Legos, sem Barbies, sem cozinhitas para as bonecas, sem nada. Improvisávamos tudo; uns bocadinhos de casca de árvore eram os pratos e as panelas e "hortaliça" não faltava para fazer a sopa. Às vezes era uma sopa mais rica com um bom bocado de carne (um calhau) e chouriço (um pedacinho de pau). Eu e o meu primo fizemos um boneco de um galho de amendoeira. Teria uns vinte centímetros de diâmetro; na parte que escolhemos ser a cabeça nasciam dois galhos  que eram os braços e mais abaixo outros dois galhos mais grossos (a natureza ajudou, confesso) que eram as pernas. Um dia, a minha avó viu por ali aquele tronco estaladiço e zás! meteu-o na fornalha. Foi uma choradeira mas durou pouco tempo.

 A minha plasticina era o barro molhado. Era uma terra vermelha com aquele cheiro intenso, indizível, que se agarra à nossa alma para toda a vida.

Era um prazer mexer na terra, agarrá-la aos bocados, moldar bolas e berlindes, bonecos de todos os tamanhos, tachos, caldeirões e tudo o que a imaginação permitia. E éramos tão felizes!

 


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