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publicado por berenice, em 12.08.10 às 16:40link do post | favorito

   Os pais e os avós, quando nos deixam para sempre, levam consigo uma parte de nós mesmos pela maneira como chamavam por nós. Nunca mais ninguém dirá o nosso nome de forma tão cheia e tão completa. Ana! João! E a Ana e o João sentem-se únicos e irrepetíveis porque ao ouvirem o seu nome ouvem toda uma identidade, toda uma história. Na escola a professora chamará por nós mas o nosso nome soará a número. No trabalho, o nosso nome é apenas a forma de identificar o funcionário tal e às vezes há mais do que um com o mesmo nome e aí acrescenta-se o apelido ou então diz-se a mais alta ou o mais novo. No casamento, com frequência o cônjuge cria um nome ridículo, ainda não percebi bem porquê, mas penso que é para dar a ideia de que de algum modo se reinventou uma pessoa, porque enfim, o nosso marido ou a nossa mulher não tinham nada que viver duas ou três dezenas de anos, longe do nosso olhar,  sem nos dar cavaco, já que estavam destinados a ser a nossa metade.

  Talvez eu esteja a fazer uma leitura particularizada do assunto. Se calhar não é nada disto. A verdade, é que nesta tentativa de apanhar os cacos de mim mesma para me reconstruir, sinto uma necessidade imensa de ouvir alguém chamar por mim de forma inteira. Uma necessidade tão grande que ás vezes, durante o sono, uma voz familiar soa na minha cabeça a chamar por mim; então acordo e sorrio e todos os objectos que me rodeiam, como que por milagre, adquiriram uma dinâmica própria como se finalmente percebessem o seu lugar na minha história.


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